Quem sou — quem somos
Às vezes, quando está tudo bem, é que se observa o que falta.
E às vezes o que falta é justamente a própria falta. Dedicamo-nos a alisar tudo, deixar tudo perfeito — e ao final não resulta em felicidade, plenitude, garantia de nada.
Talvez não seja sobre preencher tudo e ter tantas certezas, mas sobre se abrir para dúvidas e buracos. Tudo ordenado traz também um fechamento; a falta angustia, mas também traz possibilidades. Abre.
Há 17 anos venho trabalhando em parcerias que exigem bastante do paciente — mas que são também muito agradáveis, no ímpeto de construirmos juntos uma narrativa sobre nós mesmos. Não atendo em escala. Atendo dois dias por semana, com poucos pacientes, para que cada sessão seja uma obra.
Cuido primeiro de mim. Cultivo jardim, cozinho, tenho vida social ativa, prática meditativa e leitura. É dessa estrutura interna que sustento a dor do outro sem desabar dentro dela. Lido bem com crises. Aceito a pessoa inteira, sem verniz.